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quinta-feira, 17 de março de 2016

Uma goiaba como presente da goiabeira

Olá amigos amantes da natureza do Blog Feliz da Vida! Uma história de verão para aliviar as cargas pesadas do momento político brasileiro atual:

Não se sente em um de seus melhores dias, nem sente aquele como o pior, “nem cheirava nem fedia”, diria sua avó Antonia, “que Deus a tenha”.

Se arrumou sem muita disposição, de modo que jeans e camiseta julgou “suficiente”. Apenas o tênis passou por escolha mais rigorosa, o azul, já batido, assim, confortável e ideal para a chuva fina que cai insistentemente todo o verão. Ainda bem que está no fim. “Odeio calor”, pensa.

Faz o caminho habitual com o propósito diário de cumprimentar a goiabeira, frondosamente instalada na praça, que foi sendo cercada por calçadas, e prédios, e gente. Sufocada pelo progresso econômico da região.

Passa religiosamente por baixo da árvore, como que para reverenciar sua presença e referenciar que são iguais, ambas são desapercebidas no meio do todo. Gente, carros, buzinas, chuvas.

Passa a mão em seu tronco, fala um ligeiro “oi” e comenta algumas coisas como “que bom te ver hoje”, “você está verdona, que linda!”, “quanta chuva hem? Está bem molhada”...

Reparou a uma semana que havia uma goiaba no pé. Primeiro verde e pequena, que foi crescendo e ganhando a cor amarela. Bonita! “Parece apetitosa”.

Seguia seu rumo, até a visita do dia posterior, enquanto elocrubava sobre as coisas da árvore ao passar por ela. Por que haveria apenas uma em uma árvore tão grande? Poluição? Idade?

Pensa nas árvores todas abandonadas pelos homens, e quase chora ao lembrar de uma, no bairro em que mora. 
Algum displicente descarregou um monte de pedra sobre ela, para fazer a obra do rio. “Com tanto lugar!” 
Deve ter um Deus separado para a natureza, pensa, pois ela sobreviveu à construção, está crescendo ao lado do rio agora canalizado.

Nesta noite, de chuva, jeans, camiseta e tênis velho, esperando o semáforo abrir, olha de longe sua amiga árvore. Pensa na goiaba solitária, agora já madura. Atravessa a rua e no mesmo instante que passa pela árvore, antes mesmo de tocar seu tronco no cumprimento diário, a única fruta desprende-se do ramo. Caindo, passa rolando e para encostada na guia.

“Puxa, passou por mim e não peguei?” Olhando para traz percebe os transeuntes e carros parados no farol, no canto, a goiaba.

Segue seu caminho após conversar com a árvore amiga, quando percebe duzentos metros depois que deve voltar. Aquela goiaba não pode ficar lá, abandonada para apodrecer. “Caiu para mim. É um presente!”

Vai, não vai...as pessoas a verão voltar para pegar uma fruta no chão...não vai. Segue.

“Vou sim!” Decide convictamente, retorna o caminho já traçado, disfarça enquanto abaixa, pega a goiaba. Cheira a fruta, que tem o aroma agradável e convidativo das goiabas que comia na chácara da avó.

Passa por baixo da goiabeira sufocada pelo progresso, faz carinho em seu tronco, como sempre, e agradece o presente. Sai sorrindo, sentindo-se especial, e come a delícia quando chega ao trabalho. O dia parece que ficou melhor.

terça-feira, 8 de março de 2016

Estereótipos sexistas em material didático e o Dia da Mulher

Olá amigas e amigos do Blog Feliz da Vida! Em pleno dia de homenagem às mulheres, indico a leitura de texto que segue o post anterior, sobre os livros didáticos.
O artigo publicado no Jornal O Globo, “Livros didáticos perpetuam sexismo, diz Unesco”, nos alerta sobre a presença dos estereótipos sexistas no material didático dos países desenvolvidos, o que constitui obstáculo na luta pela igualdade de gênero, conforme posição da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Em relatório, a Organização aponta que os estereótipos negativos dificultam a educação de meninas e que as “mulheres frequentemente aparecem apenas em papéis secundários nos livros usados nas escolas, e que isso limita as expectativas que meninas tem profissionalmente.... derruba a motivação das garotas, sua auto-estima e sua participação na escola.”
Ainda segundo o relatório, escrito especialmente para o Dia Internacional da Mulher, os homens são representados nos livros didáticos como empresários, engenheiros, cientistas e políticos, e mulheres são retratadas em papeis domésticos, cozinhando e cuidando de crianças. Em livros de ciências a mulher quase não é retratada.

Leia o artigo na íntegra em o globo

Leia também Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, 8 de março de 2016,no link: Unesco Brasil

E conheça o trabalho do ONU Mulheres
Ainda sobre sexismo indico a leitura de "Combate ao sexismo em livros didáticos: construção da agenda e sua crítica" que estuda o tema no cenário internacional e no nacional, por meio de uma revisão crítica da literatura desde a década de 1960. Apresenta extensa biografia sobre gênero, representações e imagem da mulher. Artigo - Fundação Carlos Chagas
Meus votos? Felicidade e dignidade às mulheres e respeito aos seus direitos!


quinta-feira, 3 de março de 2016

O espírito crítico de nossos alunos

Caros amigos do Blog Feliz da Vida! Em tempos bicudos de PIB negativo, temos que nos atentar aos discursos mentirosos e desculpas, as mais variadas, para este resultado. Precisamos usar a razão!

Este post é para indicar a leitura de um artigo publicado na Revista Época dia 29/02/16, de autoria do professor Doutor do Insper, Fernando L. Schüler, sobre os livros didáticos, sob o título “É ético usar a sala de aula pra `fazer a cabeça` dos nossos alunos? ”.

O artigo foi reproduzido em outros veículos e vale pensar sobre o assunto: o que nossos jovens estão aprendendo nos livros didáticos que tendenciosamente direcionam seus pensamentos para: o capitalista selvagem versos o mocinho da resistência, encarnando a luta do bem contra o mal.

O professor pesquisou alguns livros de história e sociologia mais adotados no país e constatou que 100% tem um claro viés ideológico, não são pluralistas na abordagem política ou econômica.

Segundo o professor os livros tem viés “manco”: O viés político surge no recorte dos fatos, na seleção das imagens, nas indicações de leitura, na recomendação de filmes e links culturais.

Comenta que parecem escritos pelo João Santana, para ideologização, agindo sob inércia das editoras e passividade de pais, professores, diretores de escolas e autoridades de educação. 

Me pergunto: marketing vermelho?

Finaliza o artigo: “Sob o argumento malandro de que ‘tudo é ideologia’, elas prejudicam o desenvolvimento do espírito crítico de nossos alunos. E com isso fazem muito mal à educação brasileira. ”

Se você tem filhos, sobrinhos ou amigos no ensino médio, público ou privado, converse com eles, você constatará essa construção ardilosa do pensamento na exposição desses jovens, eu já pude comprovar. Atente-se você também. 

O artigo completo pode ser lido no link da revista:


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A vida começa aos sessenta, e as contas?


1996... Estampado na placa de metal disposta milimetricamente acima da soleira da porta, mais que enfeite para o seu escritório, a retratação de sua importância na ocasião... “para isso servem os prêmios”.

Impulsionando o corpo leva a cadeira para frente, aproximando-se da entrada e da placa onde se pode ler seu nome, e para trás, distanciando-se... “Faz tanto tempo!”

-- “O que importa é viver o agora”.

Nem sempre pensou assim, mas agora, amadurecida, não lhe é possível esquecer as atribuições do hoje. Os papéis sobre a mesa a conduzem, embora sem pretensão, a refletir sobre o seu cotidiano:

A última edição daquela revista! Teve que cancelar a renovação da assinatura depois de tantos anos. Não era tão cara, mas era mais uma dentre várias. “Tudo bem, não era importante”, justifica-se. Servia apenas para distração e atualização, “nem estou mais lecionando!”

No bilhete, seu  neto pede novamente um par de tênis: “Um por mês? Tem pés de faca!".Imagina que se não tivesse internet, teria de vaguear por lojas com o fedelho, escolher, experimentar, desistir, recomeçar. Gastaria mais e muito mais tempo também. “Pelo menos está mais fácil fazer suas vontades”.

Pega o extrato de sua conta em cima de umas revistas velhas. Confere a cobrança da taxa de serviço. Paga para guardar o dinheiro que é seu. “Não deveria o banco me pagar um percentual para eu movimentar meu dinheiro nele? Eu que pago!” Pensa que o banco lhe deveria retribuir, mas não, cobra cada vez mais taxas, e abusivas: “Tarifa de aviso automático. Que avisos são estes?”. Não se lembra de ter sido avisada de nada.

Tem sua pequena “fortuna” no mesmo banco há 35 anos, na poupança. Rende abaixo da inflação. Quando pediu orientação ao gerente recebeu uma “empurrada” de produtos que cumpririam as necessidades dele, não as suas, e desistiu.

Soma a aposentadoria com a pensão do marido morto, tudo minguado!  Lembra das pessoas que acham abusivo receber aposentadoria...”fiz tanto para merecer este benefício.” Pensão de pai falecido recebida pelo funcionalismo concorda que é abusiva, mas pensão de marido não! Nem pode prescindir deste valor.

Guarda na caixinha um extrato da conta cancelada pela manhã.  A conta só dava despesas. Foi pessoalmente ao banco, esperou 30 minutos para ser atendida. Motivo do fechamento? “Vocês demoram para atender”. Resposta da gerente constrangida: “Demorei para te atender né?!” Sente-se vingada, além de ter se livrado de tentativas de permanência.

Telefonia, uma pequena fortuna “mas o número fixo é antigo, toda a família e os amigos o conhecem”, justifica-se, buscando uma possível desvantagem para encerrá-la, embora o telefone raramente toque. Promete entre botões que pensará nisso e decidirá o que fazer depois. É um dos seus casos crônicos de procrastinação.

Contas, contas. Tem que ter também celular? Se fica em casa a maior parte do tempo porque não atender no fixo? E se está fora, precisa mesmo estar disponível? São estas as benesses da modernidade? Mais contas a pagar.

A TV tem que ser a cabo pois a imagem é ruim mesmo com antena. Os canais abertos nem pegam. O que estará acontecendo? Mercado da imposição? O pacote básico faz jus ao nome. Decidiu não ampliar seus canais, não justificam o preço dada a quantidade de tempo que vê televisão. Paga apenas para ter imagem decente. "Diferente de antigamente, era só subir no telhado e girar a antena". Ri da lembrança.

-- Imagem de qualidade não deveria ser obrigação da transmissora? Tenho que pagar a parte?

Cartas pedindo dinheiro para causas sociais. Crucifixo com seu nome como cortesia, pedindo contribuição. Fotos de crianças chorando famintas com números alarmantes de desnutrição e violência infantil. Terá que doar R$ 40,00 por mês para que o “pequeno Bruno tenha a chance de sobreviver” e outros famigerados tenham assistência digna.

-- Mas não é para isso que pago impostos?  Quase 50% de minha renda, e ainda tenho que pagar para ter os serviços elementares.

Continua o trecho da carta audaciosa: “Não temos o direito de negar o futuro a uma criança. Por isso, reagimos”,  E os meus direitos?  Pensa com revolta.
-- Reagem cobrando de quem paga impostos? Do trabalhador que deveria ter direitos garantidos?Não entendo essa lógica!

O preço da energia elétrica só aumenta, e ao consumi-la tem de pagar “adicional bandeira vermelha”. A lógica de mercado de um produto que é básico, mas não se pode consumir de acordo com a necessidade do cliente, é uma das coisas que a deixa pensativa. Tenta entender.

Carnê do convênio. Pago, e bem pago. Agora faliu! Pagou em dia para que em caso de precisão não tivesse que depender de assistência pública. Dançou!

Impulsionando o corpo leva a cadeira para frente, afasta todos aqueles documentos, papéis, extratos, cartas, revistas.

Impulsionando novamente o corpo leva a cadeira para trás, distanciando-se... Coloca os dois pés sobre a mesa, dobra os braços frente ao peito, olha para o teto, respira...

-- O que importa é o amanhã. A vida começa aos sessenta.

sábado, 12 de setembro de 2015

Network e cozinha ambulante


Sugeriu que comessem "aquela feijoada!" que sabia estar de acordo com os 3 B's. Perdeu. Ganhou a sugestão: "Vamos na esquina, a loira é sempre gelada".
 
Não sabe falar sobre Frazão, periguetes e outras bombadas, nem toma cerveja com caipirinha. Também não gosta de comer PF. Caiu de paraquedas na busca do tal do network: o sociólogo, a psicóloga, duas pedagogas e ele, um administrador.

Psicólogas “vivem em crise”, pedagogas ou “são doidas ou muito certinhas”, e administradores são “chatos”! Pelo menos segundo opiniões próprias lançadas à mesa.

Administrador é como consultor 24 horas. Notou - e comentou - a falta de consistência do molho, a ausência de cor no frango, o “destempero” do feijão, sem contar o fraco atendimento.

Pior ainda, um administrador com olfato exagerado, que se frustra ao prever que uma hora depois, ao sair, levará nas roupas e cabelos o odor da fritura impregnado no ambiente. Cozinha ambulante.
 
Se pergunta: mais vale sozinho uma boa feijoada que muitas fritas  mal acompanhado?
 
As discussões sobre a qualidade da educação? O mercantilismo no setor? As patologias sociais? Nadica de nada!
Quanto a discussão sobre autores – clássicos ou modernos? Nada!

Sobre a sexualidade dos colegas e dos professores? Tudo o que externam as más línguas, e até mais!

Sobremesa: salada de frutas velhas. É a “gota d’agua”!

O que resta? Sorvete, então! Rendido à industrialização algo o satisfaz neste almoço memorável.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS.


Caros amigos leitores,

Na Câmara dos Deputados em  Brasilia, deu-se hoje o evento Seminário Internacional sobre Recursos Educacionais Abertos.
Proposto de forma conjunta pelas Comissões da Cultura e da Educação da Câmara dos Deputados, nas figuras do deputado Aliel Machado (PCdoB/PR), da Comissão de Educação, e da deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ),  da Comissão de Cultura, o evento foi aberto para parlamentares, acadêmicos e sociedade civil para debater os Recursos Educacionais Abertos.

Contou com o apoio do projeto REA.br, de políticos que defendem a abertura e democratização do conhecimento, e com especialistas internacionais na implantação  de políticas  públicas de  REA nos  Estados Unidos e na  Europa. 

Diversos expositores que atuam em educação compartilhada, ou aberta, apresentaram dados sobre o movimento de educação aberta, números e evolução do tema na sociedade e na academia:

ü  Carolina Rossini - Fundadora do Projeto REA.br e Vice-Presidente da Public Knowledge

ü  Hal Plotkin - Consultor de Políticas Abertas do Creative Commons nos EUA

ü  Priscila Gonsales - Diretora-Executiva do Instituto Educadigital (comunidade REA no Brasil, iniciativas de política pública e criação do Manual REA para gestores públicos)

ü  Tel Amiel - Coordenador na Unicamp da Cátedra Unesco em Educação Aberta

ü  Camila Garroux - Coordenadora de Pesquisa no Centro de Estudos das Tecnologias da Informação e Comunicação

ü  Sebastian Gerlic - Representante da Índio Educa (iniciativa REA de educação indígena)

ü  Fernando Almeida - Diretor do Departamento de Orientações Técnicas da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo

ü  Nelson Pretto - Professor-Doutor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia

No encerramento ainda houve a fala do Grupo ônibus hacker e fast food da política, mostrando o protagonismo dos jovens na política e no uso da tecnologia.

A mesa foi alterada diversas vezes para atender ao conjunto de temas tratados.

Os vídeos e áudios das apresentações e debates estão disponibilizados na página da Câmara.
http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/webcamara/aoVivoSinais?codReuniao=40439

Durante o evento foi aberta uma sala de bate-papo pelo portal e-democracia, um portal para a sociedade participar dos debates dos projetos de lei e propostas da Câmara dos Deputados.


Abaixo síntese de algumas ideias transmitidas pelos diferentes oradores:

Segundo Priscila Gonsales a Lei de Direitos Autorais considera pública uma obra após 70 anos da morte do autor, portanto cópias de livros ou capítulos, é crime. Também colocar vídeos no seu blog ou site, mesmo citando a fonte.

O que tem que mudar é a lei, pois é melhor o professor criar sua própria apostila do que usar um livro capitulo a capitulo, que não adere ao conteúdo desejado. É mais inteligente colocar no material partes de livros e autores selecionados, mas é crime, enquanto não se debate e muda as leis de direitos autorais. No Brasil direito autoral é permanente e não pode ser doado.

Porém, pode-se licenciar o conteúdo criado através do Creative Commons.

As universidades devem pensar a diferença entre conteúdo gratuito e conteúdo aberto.

Curriculo não é o que ensinar mas que país eu quero como conhecimento do cidadão participante da sociedade. Precisamos gerar emponderamento dos jovens e dos recursos.

Fernando Almeida  lembrou que no sistema capitalista o trabalho gera propriedade, a educação aberta rompe com isso pois existe em benefício de todos tirando a propriedade de alguns, assim, é uma “briga” política. Principalmente com as editoras de livros didáticos.

O princípio dos Recursos Públicos é o direito de todos.

Nelson Pretto afirmou que as tecnologias são formas de escrita do mundo moderno. O livro didático era o veículo principal para levar o conhecimento, mas feito localmente excluía as regiões distantes dos centros, que permaneciam impondo sua cultura.

Hoje não somos consumidores mas devemos ser produtores do conhecimento que pode ser distribuído de forma regional para planetária.

As políticas de livros didáticos alimentam as editoras que vendem conteúdo fechado, sem acesso as fontes.

Na UFB – Univ. Fed.da Bahia após 6 meses de impresso pela sua editora, o livro é publicado  no ambiente on line.

Hal Plotkin – hplotkin@plotkin.com conta que saiu da escola aos 16 anos por não ter dinheiro para estudar, sua irmã saiu aos 14 anos. Uma noite leu um artigo que afirmava que os alunos abandonavam a escola por serem preguiçosos ou drogados. Indignado escreveu a lápis para o jornal contradizendo o texto, pois ele trabalhava numa pizzaria e foi empurrado para fora da escola devido ao sistema econômico, por ser pobre. Era vítima do editor por não ter dinheiro. Ele ganhava US$ 1,5 a hora para cortar cebolas, e o editor que foi conhece-lo, pagou US$ 50 para publicar sua carta. Assim nasceu seu lado escritor e virou jornalista. Estudou a noite numa faculdade comunitária, depois foi convidado para presidi-la e a outras entidades. Foi convidado pelo governo Obama para atuar na Educação Aberta, administrando projeto de 1 bilhão de dólares.

Relata que apenas 6,7% das pessoas no mundo tem ensino universitário, isso é uma oportunidade para a educação digital.  Segundo pesquisa do BID e Japão, uma menina ganha 20% mais de renda para cada ano de estudo e o menino de 10 a 15% mais.

Falou ainda que o MIT OpenCourseWare  foi a primeira universidade a liberar suas aulas na rede, recebeu dez milhões  de  dólares do Obama para os professores criarem as aulas, para a infraestrutura, etc. Quando a verba acabou o MIT continuou com o projeto bancando por conta própria, porque? Descobriu-se que os seus alunos preferem estudar no MIT pois tem o material didático gratuito na rede, o que gera vantagem competitiva do MIT, mais atração de alunos. O livro no USA é caro, pode chegar a US$200, e tem alunos que não podem comprá-los.

Citou pesquisa que mostra que quanto mais o professor se envolve em criar seu material de aula, mais feliz e confiante ele se sente.

Este palestrante iniciou sua fala com uma afirmação de fé, que propositadamente deixei para o final do post por compactuar com sua verdade. Diz que trabalha movido pela fé. “Fé nas instituições democráticas, embora nem sempre nas pessoas que a representam. Fé em Deus de que temos um papel no mundo que não é levar coisas para o túmulo. Não somos quantos recursos acumulamos mas o que fazemos para a sociedade em geral no nosso trabalho.”

Assim, a educação aberta devolve a esperança de que o indivíduo terá um futuro melhor para poder progredir, é mais que química, biologia, português, é esperança.

Enfim, estamos no Inicio da transição da era digital, e o REA contribui com a transformação.

 Portais e endereços digitais referenciados durante o evento que podem ser pesquisados:

·         Instituto Educa Digital  - http://www.educadigital.org.br/site/

·         Pesquisa TIC – educação: TIc nas escolas brasileiras – do Cetic.br


·         Nic Brasil – sobre tecnologias digitais  - http://www.nic.br/

·         Egi.br – governança na internet - http://egi.nic.br/ e http://www.cgi.br/

·         Engeduca – cursos de engenharia e arquitetura a distancia -  http://www.engeduca.com.br/

·         Licenças de produção - https://creativecommons.org/

·         Catedra em educação aberta da Unesco e Unicamp - http://educacaoaberta.org/

·         Design Thinking - http://www.dtparaeducadores.org.br/site/

·         Djangogirls – Petra – recolhe mulheres para estudar na net - https://djangogirls.org/

·         Comunidades indígenas na net - Sebastian Gerlic  - http://www.thydewa.org/# e http://www.indioeduca.org/

·         Praticas colaborativas de RAE - http://www.livrorea.net.br/livro/home.html

·         Escola digital – plataforma digital - http://escoladigital.org.br/

·         Open access button  - recurso google para localização de pesquisas científicas

·         Roer4D – Pesquisa sobre RAE - http://roer4d.org/

·         REA - http://www.rea.net.br/site/

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Setor em batalha


Abril, 07 – 17h

Dez minutos atrasado. Vou direto à enfermaria. Café após água e W.C. “Chá de cadeira”.

A tarde estava agitada, enfermeiros passavam constantemente no corredor para responder a convocações de seus encarregados ou diretores.

Cada empregado que aguardava no corredor tornava-se meu companheiro de “turno”. Vários chegaram, passaram e se foram, atendidos ou não. Eu esperava enquanto repassava as perguntas para a entrevista.

Ganhei uma revista da recepcionista. Na capa, seu chefe. Corajoso lutador aponta o slogan. Nascem novas perguntas. Não ao filantropo, mas ao empresário de um setor em batalha.

Uma hora e meia depois decido cancelar. Aproxima-se meu horário de trabalho, e ainda precisava retirar as fotos e as reprografias no laboratório.

Informo decisão e agenda é remarcada para o dia seguinte, pela manhã, às onze. O chefe envia recado pedindo para eu esperar, quer me cumprimentar. Provavelmente sente-se incomodado pelas três últimas reuniões terem sido canceladas e talvez queira se desculpar. Eu havia perdido 5 longas horas de espera alternada. Muita gentileza de sua parte. Homem de respeito!

Enquanto o aguardo encontro a outra chefe, a de número quatro: “Tenho lugar para você, topa?”. Proponho reunião para conversar, saber o teor da oferta. “Quando podemos?” Rápida, me oferta 20 h a mais de trabalho em outra repartição. “Vou te indicar na APCA. Quase certo!” Diz que é pegar agora ou largar para sempre. Pego! Pedirei demissão de Jandira. Ergue os braços para cima, em sinal de vitória, punhos cerrado e sorriso aberto: “Ai, que bom!”. Sai feliz. Trinta segundos para otimizar o emprego.

Ao virar as costas o “chefe” aparece no corredor, abraça-me, pega minhas mãos segurando-as simultaneamente, senta e começa a se desculpar.

Explica estar envolvido em uma situação com o Ministério, que terá impacto na vida de seus netos, e na dos meus, e que está enfrentando sozinho uma batalha contra nova regulamentação que vai “bolivarizar” tudo. “Querem garrotear o setor!”

-- “Estou em um grupo. E até meus pares foram contra mim, os seis. Acabei convencendo-os da minha posição e conversamos com os políticos, acertamos um acordo. ”

Conta que o texto chegou hoje da cúpula e ele encontrou muitas diferenças entre o “combinado e o aprovado”.

-- “Passei o dia ligando para stakeholders para mostrar que o texto está errado. Um desgaste! O diabo mora na gráfica!”

Afirmo que dada a sua importância não precisava se justificar, não me incomodo “eu entendo”.

“Então, nos vemos amanhã”. Assim termina nossa curta conversa, eu como ouvinte, como sempre. Logo volta-se à recepcionista perguntando pelo Dr. X, Fulanos W e Y, se estão “na casa”. Parece que precisa falar com todos. E rápido.

Metendo-me na conversa, sem ser chamado, respondo que os vi, todos estão “lá dentro”, e aponto. O “chefe” ágil e vermelho lá entra fechando a porta atrás de mim.