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segunda-feira, 29 de julho de 2013

HISTERECTOMIA, EU?

Felizes leitores do Blog Feliz da Vida! Este conto retrata o pensamento feminino face ao medo da doença e da morte.

O Veredito
Estava na idade onde o indicado é não mais engravidar. Sendo assim, não lhe seria necessário mais ter o útero.

Porém, sentiu uma certa tristeza quando o médico anunciou o veredito:

-- Vamos histerectomizar!

De onde veio o sentimento de perda? Iria dispensar um órgão desnecessário para seu “projeto de vida e idade” de acordo com o Dr.Alexandre, médico com cara de vovô. E carinho idem.

Talvez pela cultura do papel da mulher, ser mãe. Não, já estava satisfeita neste quesito.

Talvez o medo da anestesia geral, ou do processo cirúrgico, ou da recuperação.

Bem mais calma meia hora depois de terminar a dolorida consulta,  pensou que não é a perda do órgão que a assusta, é o medo à doença. Ou ainda, da perda de saúde, bem por demais precioso para alguém com sua vitalidade e compromissos.

Pensou na sua família, pensou no seu trabalho, pensou nos seus alunos. Pensou nos seus animais. Pensou nas suas plantas, no jardim.

Os exames femininos são por demais invasivos. “Culpa do modelo” segundo o médico.

-- Nossa barriga deveria vir com um zíper, facilitaria um bocado. Disse ela, para sorriso de ambos.

Como alguém consegue sorrir numa posição daquelas? E com aquela dor? Humor negro!

Não entende porque chamam de negro este tipo de humor. Preconceito?

Tinha uma amiga negra que se indignava com a cor do humor, do carro funerário ser preto, e outras coisas do tipo. Ela se mudou para Minas Gerais, e não deve saber que agora eles são brancos.

Branca e pálida foi sua cor diante da notícia inesperada. Precisava tomar ar.

O dia seguinte
Simultaneamente ao exame, o inverno deu suas caras na segunda-feira.

Esforçou-se para não pensar no assunto. Mas o seu útero insistia em pensar por ela.

Não conseguia sentir alegria.

Apenas um dia insosso.

Sem maiores sentimentos.

Frieza, na maior parte do tempo, como tentativa de espantar o pensamento.

Bicho insistente é o pensar. Tem vida própria.

Semana fria!

O cardiologista
E os dias vão e vem, passa a emoção inicial.

Algumas  amigas e alunas em apoio lembraram-na que pelo seu “perfil” irá "tirar de letra". Alentadoras palavras.

Como pré-operatório, é preciso identificar os riscos da anestesia geral.

A visita ao cardiologista, foi bem feliz. Foi a primeira vez nos últimos meses que um médico não lhe pede um monte de exames duvidando da sua boa saúde. "Pode operar, não corre risco cardiológico." Alívio! Agora quer que chegue logo este dia, para acabar de vez com a espera.

O "Dr.Vovô" alertou que os cardiologistas tem mania de pedir diversos exames, assim perderiam tempo precioso nesse processo. Que nada. Apenas os eletrodos em pontos espalhados pelo peito, pulsos e tornozelos. Aquele papelote verde com muitos riscos. Eletrocardiograma.

Gráfico do meu tum-tum-tum. Pensou.

Cada tum, um risco. Sobe, desce, desce, desce, desce..ops..sobe, sobe, desce, sobe. "Bate coração. Oh! tum. Coração pode bater er er".

Será que o gráfico registra saudade? Suspira profundamente!

Terminou mais rápido do que planejara, sobrando tempo para a maravilha das mulheres, principalmente numa segunda-feira: salão de beleza.

Perderei o útero, não a vaidade. Sentenciou solenemente!

Lavagem, corte, escova, buço, sobrancelha, mão. A estima lá em cima.

Esse lugar é sagrado! Ri-se satisfeita com a magia.

O sorvete completa a alegria da tarde de baixa temperatura.

No peito, a canção lhe aquece: "e se quiser saber pra onde eu vou...pra onde tenha sol..é pra lá que eu vou!

Contando a notícia
Sua afilhada olhou-a com compaixão diante da notícia: “a senhora, madrinha?” Sua irmã compara seus miomas, e seus colegas de trabalho lhe desejaram sorte, para poder voltar logo.

Mas sua mãe se preocupou muito, e falou num tom nervoso e mais alto que o seu normal “Não opera”!

Justificou seu medo com argumentos diversos, das amigas que tiveram recuperação parcial e lenta, dos efeitos colaterais, de sua idade, entre outros.

Ela que já estava acostumada com a ideia, ganhou novas preocupações. O pavor da sua mãe despertou-lhe algumas inseguranças e levou-a a procurar mais informações sobre o assunto. Pós, contras, riscos e resultados da cirurgia.

Impressionante como as mães tem tanta preocupação com o bem estar dos seus rebentos.

No dia seguinte sua mãe a presenteou com um “chinelo de hospital”. Daqueles fofinhos usados pelas vovós e mamães recentes. Talvez queira que por meio do chinelo ela sinta sua presença consigo. Vai funcionar.

Meu lado criança agradece a santa proteção. Assim seja! Respira, aliviada!

Mais exames?
Sua remuneração já fora prejudicada com tantas horas ausentes. Parece até que mudou o expediente para a tarde. Quantos exames é preciso para constatar a saúde ou a patologia?

Em quantas partes se divide o corpo que pode ser observado fragmentado. Cor, textura¸ consistência, tamanho, metabolismo, densidade, cor, dos ossos, membros, órgãos, músculos, células, tecidos, articulações...como somos grandes! Que perfeita a máquina que nos foi emprestada!

Os “mecanismos” todos se conectam, encaixam-se numa sincronia perfeita. Tudo no seu lugar e com um propósito específico.

Os ossos sustentam o corpo, apoiam os músculos e protegem órgãos internos. O coração é responsável pelo bombeamento do sangue. O sistema linfático drena o excesso de líquido para manter o equilíbrio dos fluidos no corpo, transporta as vitaminas e lipídeos, absorvidos durante o processo de digestão até o sangue, para que este transporte os nutrientes e outras substâncias pelo corpo. No sistema nervoso central ocorrem nossos pensamentos, emoções, memórias e estímulo sensitivo. Através dos impulsos elétricos que ocorrem entre seus bilhões de neurônios, conecta todas as partes de nosso corpo.

Sistema nervoso, linfático, esquelético, respiratório, circulatório, etc. A união de todos os sistemas formam o nosso organismo.

Refletiu entusiasmada, que maravilha! Só me resta cuidar da máquina e regular as engrenagens em desalinho.

Exames de urina, glicose, hemograma, coagulograma, ultrasons, eletrocardiograma, raios x diversos.

Se perguntou porque raio x de tórax para cirurgia no sistema reprodutor?  Vai descobrir. É curiosa.

Raio X de tórax 
Porque raio x de tórax para cirurgia no sistema reprodutor?  Descobriu:

Para verificar a possibilidade do paciente apresentar quadro de pneumonia, doença impeditiva à cirurgia devido a necessidade de anestesia.
 
A vida é feita de detalhes
O taxista de cabelos brancos dizia ao celular que enviou o currículo por email. Sua mãe, nos altos dos 70 e poucos anos, manda procurar tudo na internet. Lá comprou os ingressos para levar 8 sobrinhos ao Playcenter no sábado passado. Nela marca os exames médicos e lança as notas de provas dos “bons e maus” alunos. Pela internet os jovens marcam encontros e os ativistas os seus protestos. E por meio dela trabalha remotamente quando impedida de ir ao escritório do cliente.

Sua atual empreitada “interneutica” foi sugerida pela sua mãe, que quer que ela desista da cirurgia. Pesquisou alguns sites voltados às informações femininas, reprodutivas e de medicina e saúde.

Sempre se utiliza dos fóruns de tecnologia para entender assuntos cuja técnica não domina, ou para tirar dúvidas quanto a procedimentos que deseja usar para solução de conflitos ligados à TI. Desta vez, encontrou um fórum de mulheres que fizeram ou farão a histerectomia trocando informações, dúvidas, medos e esperanças no pré e pós-operatório.

Alguns depoimentos assustaram-na sugerindo prazo de recuperação três vezes maior que o informado pelo seu médico, outras citam as dores e desconforto do pós-operatório. Lá vai ela tremer de novo na base!

Porém, na maior parte dos casos, as mulheres contam que a cirurgia foi benéfica, os resultados positivos, e a recuperação boa, se seguidos todos os procedimentos indicados para o “resguardo”. Dois meses sem subir escadas? Como? Nos seus dois empregos precisará subi-las. Espera que as mulheres estejam exagerando, ou que seu organismo, contrário ao delas tenha uma recuperação excepcional. Morando num sobrado, não contava com este estorvo!

Dá tempo de demolir a escada que leva à suite? Ou de mudar de casa? Tanta coisa para se preocupar!

Suspira demoradamente. A vida é feita de detalhes.

O TEMPO CONTINUA  PASSANDO...

Pesquisa Histórias de vidas

Pesquisa Vida sexual


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Problemas no metrô - mau humor ocasional. Ah! E mau hálito.

Caros amigos leitores do Blog Feliz da Vida! Frente fria chegando. Prepare-se para as orelhas do seu cobertor!

Tenho percebido uma mudança no comportamento das pessoas que usam o metrô em São Paulo, desde que houve manifestações em junho por melhores condições no transporte.

Quem viveu isso entenderá logo a situação: horário de pico, pela manhã e à tarde, sardinha na lata, apertada. Você nunca passou pela situação? Então imagine...lembre-se da maior vez em sua vida em que esteve comprimido, apertado contra uma parede, por exemplo. Imaginou? Agora duplique a sensação lembrando que falo de uma parede humana. Gente na sua frente, atrás, de ambos os lados. Se você tem minha estatura, gente por cima com seus braços e pertences. Se mexer o pé, perde-se o lugar dele, mas você não vai mexer os pés, não tem espaço nem para mexer os dedos.

O drama pode piorar? Pode, quando falamos de estação Braz pela manhã e Sé à tarde. Era Sé, agora também República, Luz, Anhangabaú. O aperto se generaliza.

Imagina que você está comprimido, não cabe mais ninguém. Mas quando a porta abre nestas estações e horários as leis da física são postas à prova. Uma multidão empurra a tudo e a todos que são jogados para cantos diversos sob sussurros e às vezes gritos. Palavrões, sim! Xingamentos sempre!

Sou otimista, os leitores sabem, mas posso piorar a explanação: pela manhã gente (bastante) com mau humor e mau hálito. À tarde acrescente pinga, suor, suvaco.

Quer mais? Tenho me perguntado por que as pessoas não mais colocam a mão à boca ao bocejar? Isso era falta de educação, agora é regra. Não percebeu? Talvez porque também o faça sem perceber a gafe. Atente-se!

E se a pessoa não escovou os dentes? Pode acontecer. Reparo muitos homens que não escovam os dentes após o almoço. Começo a temer quando tenho reuniões à tarde. O profissional conhece pacote office, faz graduação, sabe tudo de futebol e MMA, mas não sabe que tem que escovar os dentes em benefício de si e dos colegas de trabalho? Acha que vai pensar então no estranho no metrô?

Perguntei para vários alunos que confirmarem vivenciar esta situação em seus ambientes de trabalho.

É inverno e o ar-condicionado está me congelando como todos os dias, assim, meu nível de aceitação incondicional deve estar mais baixo.

Está bem! Hoje é sexta, vamos à parte boa, que foi por onde começou este post. Percebi que as pessoas não estão empurrando tanto quanto faziam à pouco tempo atrás e desde quando me lembro usando o metrô. Não tenho mais tomado solavancos, mesmo quando as pessoas avançam não é um empurrão agressivo e arrogante. Tem até gente pedindo desculpas. Na hora de descer na Sé tenho visto menos confusão e exaspero dos passageiros. Será que com os protestos as pessoas perceberam que estão todos no mesmo barco? E que a baixa qualidade no transporte afeta a todos? Afeta inclusive o sistema de transporte privado.

Eu posso escolher: posso ir de metrô massacrada pelo aperto ou de carro massagrada pelo tempo no trânsito. Quatro horas de Alphaville à Guarulhos! Acredite. Eu vivi!

- “Ah, prof! Doce ilusão. As pessoas não empurram menos, é por causa das férias, está sobrando lugar no aperto.” Fala sério!

Quanto ao metrô, pela manha vai demorando para sair em cada estação “problema na região leste” à tarde a cena se repete, muda o agente “problema na estação Saúde”. O metrô tá doente.

E já que o assunto é esse, vale citar os sujeitos que aproveitam a situação constrangedora por si mesma para encher as mãos nas nádegas de mulher que não a sua. Descaradamente! Bati em um dia desses. Eu que sou de paz, hem! E nem era comigo! Mas agrediu uma mulher, agrediu a todas as mulheres.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Manifestações e ideologia. E agora?


Felizes amigos do Blog Feliz da Vida! Ainda sobre as manifestações, com interesse mas tempo escasso para comentar.

Me entusiasmei com o resultado de uma pesquisa realizada durante os protestos de junho que identificou o perfil dos manifestantes. Claro que todos sabiam que eram na sua maioria jovens pela facilidade como 80% deles se organizou pelas redes sociais, classe média e estudantes.


 
Ouvi gente criticando os “mauricinhos” que reclamavam do preço da passagem sem tomar ônibus, e outros tipos de preconceito de classe. Todavia 52% eram estudantes sim, mas menos da metade (49%) possui renda familiar superior a cinco salários mínimos, ou seja, metade pertence às faixas média baixa ou baixa no estrato social.

Muito me alegra saber que 43% é menor de 24 anos, por considerar esta fase árdua devido a saída da adolescência, a experiência do primeiro emprego (cada dia mais tarde), da escolha profissional, de relacionamento, etc. Muitos jovens saem de uma situação em que os pais os superprotegem ou abandonam e eles tem que tomar sérias decisões nesta fase sem preparo para tal. Difícil!

A informação mais relevantes é que quase metade dos participantes das passeatas nunca tinham participado de uma manifestação de rua. Daí, ouvi criticas de manifestantes de carteirinha de que “esse pessoal” não tem posição política. De acordo com a pesquisa, cerca de 90% não é filiada ou se sente representada por partidos políticos. Mas espera aí! O pessoal nasceu na década de 90. A Constituição já havia sido promulgada, o Plano Real aparentava estabilidade social, FHC foi presidente quase toda a década e depois Lula em toda primeira década dos anos 2000.

A politização exige treino. Estão aprendendo agora! Todos tiveram sua hora, inclusive os “antigos” (como eu), todos nós aprendemos fazendo. Eu, por exemplo, na juventude fui militante do PT, me emocionei quando o ex-operário atingiu a mais importante função do país, para me decepcionar logo depois e preferir não ter mais partido. Nossas ações são influenciadas pela situação econômica, política e social de cada fase de nossas vidas!

O povo nas ruas está fazendo com que os representantes dos 3 Poderes estejam alertas. No Congresso estão trabalhando até à noite, dona Dilma tem reuniões diariamente mobilizando sua defesa. É um bom sinal. Estão preocupados em atender ao povo, a quem nunca deveriam manter desassistidos.  Pena que de concreto, pouco.

Qual a preocupação agora? Que as reivindicações tenham foco, líderes, legitimidade e não caiam no esquecimento.

Na quarta saiu um artigo que vale à pena sua leitura, no editorial do jornal Estado de São Paulo. O articulista, professor José Eduardo Faria, da filosofia da USP pergunta: Qual é a motivação dos manifestantes, além da pretensão de reconhecimento de direitos?

E faz uma comparação dos protestos de junho com as manifestações de 68 no Brasil e na França onde os estudantes pararam os sistemas de transportes, luz e gás em seguidas ondas de protestos “no sentido romântico de uma retomada dos impulsos morais que as gerações anteriores teriam deixado perecer. A teoria deveria nascer da ação, diziam. No Brasil, os protestos de 68 ocorreram num País submetido a uma ditadura militar. O que começou como iniciativa libertadora meses depois culminou no AI-5 e num longo período de violência e dissolução de liberdades públicas. ..Na França...sem o apoio de uma população cansada de passeatas e interrupção nos serviços públicos, o movimento estudantil murchou, depois de se ter radicalizado, e o país voltou ao statu quo, nos planos social e econômico. Foi a primavera do nada, disseram os mais conservadores. Haverá uma analogia entre maio de 68 e junho de 2013?”

O artigo discorre sobre a falta de um discurso integrado, seria ausência de ideologia?

Nesta semana no programa Roda Viva entrevistou o filósofo esloveno Slavoj Zizek que discorreu sobre política e o futuro da esquerda a nível global. A frase mais comentada: "Os governos, mais do que nunca, têm de fornecer um poder central e regulatório para suas economias. E é por isso que sigo firme como um comunista", afirmou. "Vivemos em uma era totalmente cínica, ninguém leva as ideologias a sério. Mas ainda precisamos delas. Ainda precisamos das ideologias"

 Zizek escreveu em junho sobre a crise do capitalismo e sobre os protestos na Turquia na  London Review of Books, artigo transcrito no blog Outras palavras:

“Também é importante reconhecer que os que protestam não visam a nenhum objetivo “real” identificável. Os protestos não são, “realmente”, contra o capitalismo global, nem “realmente” contra o fundamentalismo religioso, nem “realmente” a favor de liberdades civis e democracia, nem visam “realmente” qualquer outra coisa específica. O que a maioria dos que participaram dos protestos “sabem” é de um mal-estar, de um descontentamento fluido, que sustenta e une várias demandas específicas.”

Assim, é de bom tom que os protestos no Brasil conclamem o “Basta”, como tem sido os protestos contra a Corrupção e por mais educação ocorridos nos últimos dois anos.

Meu tempo se esgotou, conversamos novamente em posts futuros. Viva o futuro!

Leia e assista:


De maio de 1968 a junho de 2013
 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Educação, avaliação e as mazelas da sociedade

Amigos do Blog Feliz da Vida! Hoje eu espirrei. Um amigo falou: saúde. Outro em seguida: educação, transporte e salários dignos. Parece brincadeira, mas muitas são as apirações da sociedade. Cada um sabe onde seu calo aperta. Esse post indica um calo meu que vem sendo apertado a cada dia, e não é de hoje. A qualidade da educação. Fui aluna da escola pública quando ela ainda era boa. Falo com conhecimento de causa.
Um conceito importante de administração: utilização racional de recursos para alcançar objetivos pré-determinados. Este conceito embute outros de tamanha importância: eficiência, eficácia, produtividade. Mede-se a produtividade em função do resultado.
Como se mede o aprendizado de um estudante, pela sua nota na prova? Esse foi seu resultado? E se foi obtido por meio de “cola” ou de “decoreba”? Pode ser considerado produtividade? O aluno foi eficiente? O professor foi eficaz?

Segundo o professor Cipriano Luckesi: “A avaliação deveria sempre ser a parceira de quem atua e busca resultados satisfatórios definidos num conjunto de desejos, intitulado projeto. No caso do ensino, para o educador pode demonstrar sua eficiência ou sua ineficiência, assim como as nuanças entre esses dois extremos; para o educando, a efetiva qualidade de sua aprendizagem, seja na direção do menos ou do mais.” *

O que dizer dos alunos recém-chegados aos bancos universitários que foram acostumados à progressão continuada ou facilitada em fases anteriores, e não sendo reprovados não se preocuparam em aprender a estudar? Quando no ensino superior, o professor lhe solicita que exercite a capacidade de análise, interpretação, síntese... Como, se ele não as obteve?
Como lidar com a tendência eficientista que mede a universidade pelo numero de alunos aprovados em provas e testes? A escola não se reduz a promoção tecnicista de alunos por séries - deve formar o educando como sujeito histórico, cidadão, que empregará seu saber além do mercado de trabalho, conduzindo também os rumos do país e da sociedade.
Presenciei casos de bons alunos, participativos e questionadores durante as aulas, que em momentos de provas se descontrolam emocionalmente, reduzindo sua pontuação no desempenho geral. Tive uma aluna de primeiro semestre que mesmo eu tentando acalmá-la, chorou durante todo o período de prova. Saiu da sala trêmula, sem conseguir responder às perguntas. Na semana seguinte veio pedir-me desculpas. Outra, já no terceiro semestre, ainda não venceu o “branco” na hora da prova. Tensão desnecessária. O nervosismo também atinge alunos homens.

Segundo a educadora Thereza Penna Firme " O aluno, como qualquer pessoa ou grupo, está sempre envolvido emocionalmente no processo avaliativo, justamente pelo fato de seu desempenho estar sujeito a um juízo de valor ou julgamento, que poderá ser favorável ou desfavorável. Esta situação gera ansiedade que, por sua vez, está vinculada à motivação para alcançar o sucesso. Tal situação é normal. Entretanto, se a preocupação com o sucesso é exagerada pelo medo da punição, pelo fracasso, pela intolerância de outros e a perda de autoestima, a ansiedade sobe a níveis insuportáveis que prejudicam severamente o desempenho do indivíduo ou grupo sendo avaliado. Assim, a possibilidade de fracassar deve ser entendida com naturalidade e com perspectiva de recuperação. Infelizmente a avaliação na escola tem sido gravemente afetada pela sua vinculação à punição e não à descoberta de uma realidade que deve ser conhecida, aplaudida ou corrigida se necessário." *


Algumas escolas incorporaram a disciplina de inteligência emocional objetivando contemplar o ser integral. Seria então o caso de incorporar controle financeiro, planejamento e gestão de objetivos pessoais, ausentes em boa parte dos jovens?
 A progressão continuada minimizou o fracasso escolar no ensino fundamental? A seriação automática maximiza o desinteresse do estudante? A retenção apenas na passagem dos ciclos impacta na exclusão social? São muitas questões. A avaliação deve contemplar a análise global do desempenho do aluno.
Alunos resistem aos métodos de avaliação. Professores resistem à aprovação automática. Gestores resistem ao fracasso escolar e a sociedade sente seus efeitos.
° Jovens sem perspectiva são enredados pela indústria do trafico que os remete à violência e à desumanidade.
 ° Jovens formados com ensino de baixa qualidade são renegados pelo mercado de trabalho, faltam trabalhadores, sobram vagas.
° Parte da mídia propaga descaradamente uma cultura massiva de desejos impulsivos gerando consumo desenfreado.
 ° Políticas de crédito fácil amarram o cidadão ao spread bancário que os torturam como ao soldado kafkiano extasiado.
Grandes mazelas com impacto no longo prazo.
Porém, o preparo das mentes e o despertar são indicadores de um sistema de educação de alta qualidade.

* A entrevista pode ser lida em http://www.futuroeventos.com.br/noticias/integra.php?id=481#.UdWuUuUeA5Y.twitter : Cipriano Luckesi e Thereza Penna Firme falam sobre Avaliação e até quando ela será um grande desafio

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O povo acordou! E os Direitos Humanos?

Leitores despertos e acordando do Blog Feliz da Vida!

Neste momento de profunda reflexão, objetivada em construir pautas coerentes e exequíveis para a garantia de um futuro próspero e mais equitativo para todos os brasileiros, indico para leitura um texto esclarecedor sobre as políticas de Direitos Humanos, no contexto político nacional.

Trata-se de publicação no site da Conferência Nacional: uma nova política externa, que ocorrerá em julho.

O texto publicado  por Le Monde Diplomatique Brasil em janeiro, escrito pelas professoras Deisy Ventura e Rossana Reis da USP, elucida que entre as décadas de 60 e 80 as esquerdas tinham forte luta pelos direitos humanos, porém, tendo chegando ao poder, consideram-na um estorvo e oposicionista reduzindo sua importância no “projeto de transformação social”.

A matéria comenta algumas das principais objeções que uma parte das esquerdas brasileiras tem feito às reivindicações baseadas nos direitos humanos, alguns argumentos transcritos em parte:

Os direitos humanos são burgueses.

...Nenhum sistema político pelo qual vale a pena lutar pode prescindir do respeito à dignidade humana e do feixe de direitos que dela deriva.

Os direitos humanos são uma invenção ocidental, e a política de direitos humanos no plano internacional é uma forma de imperialismo.

...Ao longo dos séculos, o conceito da igual dignidade dos indivíduos em liberdades e direitos mobilizou, no mundo inteiro, grupos e agendas muito diversificados. ... Portanto, sua origem histórica e cultural não deve ser vista como um pecado original...

Incorporar a agenda de direitos humanos na política externa seria fazer o jogo dos Estados Unidos nas relações internacionais.

Os Estados Unidos são grandes objetores e violadores do direito internacional. Por exemplo: ... mantêm aberta a base de Guantánamo, em Cuba, ...os casos das intervenções no Iraque e no Afeganistão. Na Líbia, em 2011...o uso da força ... com base no princípio da “responsabilidade de proteger”. ... ao mesmo tempo que dá guarida a graves violações de direitos humanos no Barein, na Síria e no Iêmen. Segundo o presidente Barack Obama, os Estados Unidos devem intervir, coletiva ou unilateralmente, quando seus “interesses e valores” forem ameaçados, sem preocupação com a coerência.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) praticou uma ingerência inaceitável nos assuntos internos brasileiros no caso Belo Monte.

A oposição à construção da usina é promovida pelos Estados Unidos. ...A oposição à hidrelétrica de Belo Monte é legítima e genuinamente brasileira, vinculada à luta histórica pelos direitos dos povos indígenas e pela preservação do meio ambiente.

Impor condicionalidades em termos de respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente nos empréstimos concedidos pelo governo brasileiro a outros países é um tipo insuportável de interferência e uma forma de imperialismo.

Na década de 1970, uma importante conquista da sociedade norte-americana foi a exigência de que os países beneficiados por empréstimos respeitassem determinados padrões de cumprimento de direitos humanos...No contexto atual, em que bancos e agências do Estado brasileiro se tornam importantes fontes de financiamento de obras de infraestrutura na América Latina, é importante que os empréstimos concedidos e os acordos de cooperação incorporem a exigência de respeito aos direitos humanos.

Direitos civis e políticos são de direita, direitos econômicos e sociais são de esquerda.

...A identificação de alguns direitos com a direita e de outros com a esquerda... aproxima-se perigosamente da justificativa apresentada pelos generais-presidentes brasileiros aos organismos internacionais, quando interpelados sobre as frequentes violações cometidas em nome da segurança nacional. Para eles, os avanços na área de saneamento básico, habitação e saúde constituíam a política brasileira de direitos humanos, enquanto as denúncias sobre torturas, prisões arbitrárias, assassinatos e desaparecimentos faziam parte de um complô comunista mundial.

O desenvolvimento é mais importante para as pessoas do que o respeito aos direitos humanos. ... o contexto econômico não pode servir de justificativa para o atropelamento de direitos humanos, sob pena de produzir, mais uma vez, um crescimento econômico que não se traduz em uma melhora real e equitativa do panorama social brasileiro.

O combate à miséria é a forma mais efetiva de combater a violação dos direitos humanos.

O combate à miséria é parte fundamental de uma política de direitos humanos. Mais do que isso, podemos afirmar que, sem uma política de erradicação da miséria, a promoção dos direitos humanos está fadada ao fracasso.

O respeito aos direitos humanos é uma etapa já conquistada no Brasil.

Atualmente, nosso problema seria a falta de meios, não a falta de consenso em relação aos princípios. Esperava-se que os direitos humanos alcançassem lugar de destaque na agenda política pós-redemocratização. Seria o momento de generalizar o acesso a esses direitos (prioridade de investimento em políticas sociais) e de afirmar a cultura dos direitos (os bens da vida não constituem privilégios de alguns, nem assistencialismo).

Não são pontos muito importantes que merecem nossa consideração e reflexão?

Ao final do texto as autoras chamam a atenção para uma situação extremamente crítica e atual no Brasil: a existência de grupos e partidos militando contra direitos fundamentais, inclusive os já legalizados. Lembrando que nas últimas eleições foram tratados pelos candidatos temos como tortura, aborto, sexualidade, entre outros.

Estamos vivendo um momento histórico ímpar, cidadãos de todos os lugares e classes gritam em uníssono que “o povo acordou”. Ainda com base no texto, ressalto que esta luta não poderá levar à mudanças que não contemplem respeito às diversidades de etnias, gênero e orientação sexual:

“Iniquidades e discriminações que envolvem questões de gênero, cor, orientação sexual, regionalismo e xenofobia exigem ações específicas. Uma sociedade menos desigual em termos econômicos não é sinônimo de uma sociedade que respeita igualmente os direitos humanos de todos os seus cidadãos. Quando a inclusão social se opera essencialmente pelo aumento do consumo, toda sorte de egoísmo pode ser favorecida.”

Leia o artigo completo no link Direitos Humanos

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O povo pediu passagem, e conseguiu! Viva a copa das manifestações!

Amigos protestadores do Blog Feliz da Vida! Vivemos momentos cruciais para a história brasileira. Temos nos manifestado neste blog contra as injustiças e a favor da paz, ao longo dos anos de postagens. Obrigada pela leitura constante e pelos leitores que nos acompanham. Que possamos continuar protestando juntos por meio desse canal.

As Jornada Mundial da Igreja Católica, Copa das Confederações e proximidade da Copa do Mundo, são momentos de visibilidade para o Brasil no restante do mundo, que tem assistido multidões de pessoas nas ruas requisitando direitos há muito perseguidos - não é direito à samba, mulata, futebol e prostituição infantil. As reinvidações são por educação, saúde, respeito, impostos justos, dignidade humana, transparência, etc.

A pauta é ampla, não temos liderança, os movimentos são isolados, e ainda não temos prática em lutar pelos nossos direitos, mas nossos políticos que de cara não entenderam nada, quando o povo acordou, acordaram assustados! Se tiverem conseguindo dormir!


Pessoalmente tenho participado de manifestações contra corrupção e discriminação, e a favor de melhor educação faz tempo. Nos últimos dias uma quantidade sem conta de pessoas fazem o mesmo, o que muito me anima, por se assemelhar às manifestações pelas “Diretas Já” e “Fora Collor” das quais participei quando tinha a idade da maioria dos manifestantes dos protestos atuais.

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É possível eu ser a favor dos protestos e também propagar a paz, não são excludentes, pelo contrário, o grito dos massacrados, injustiçados e excluídos fica mais forte nas frases “sem violência” e recebem mais aceitação pública do que atos de violência e destruição, que muito me entristece, como me entristece ter havido mortos nos confrontos.

Como administradora, me entristece ver que os protestos estão espalhados por todo o território e os cabeças da nação não se manifestarem. Legislativos, executivos e nossa presidenta não deveriam falar especificamente sobre o assunto em cadeia nacional, se posicionando e respondendo ao povo? Me entristece alguns desses cabeças serem políticos que não merecem estar nos postos chaves do poder, senão em outro tipo de cadeia.

Entristece-me repórteres feridos nos eventos, e uma parte da mídia ser sensacionalista ou manipuladora ou conservadora.

Mas me alegra e orgulha ver meus alunos, amigos e sobrinhos participando com ânimo pela busca de um melhor futuro.

A passagem de ônibus baixou - algo que não acreditei no início dos pequenos protestos – mas seu agigantamento aumentou a passagem do povo pelas ruas – poder no qual acreditei sempre!

 Passe livre

As manifestações podem até parar, mas as pessoas aprenderam que se desejarem poderão se mobilizar com muita rapidez e vão usar este poder quando desejarem.

Torço há anos para que esse poder seja usado nas urnas para uma escolha melhor de nossos representantes, e torço para que novas lideranças e novos políticos surjam para substituir aos atuais que não nos representam.

Justiça eleitoral é haver candidatos que representem seus eleitores, é princípio da democracia. Ainda não temos muitos com essas características por aqui.

Todavia, creio termos à partir de agora políticos cônscios do poder do povo e que mudarão suas posturas, mesmo que em função de manter seus empregos. Ou mudam ou morrem na cena política. Oxalá!

Torço para que tudo isso termine em paz! Torço para que as próximas até às últimas manifestações sejam sem violência! Torço para que os partidos oportunistas não consigam manipular as pessoas! Torço para que os jovens se politizem e se envolvam com os assuntos da nação desde agora! Torço por novos candidatos nas próximas eleições.

Torço por mais educação como instrumento para promover boa parte desses meus anseios. Conheço jovens que não conhecem a história recente do país, ditadura, repressão, imprensa manipuladora, desaparecimento de políticos e outros protestadores, democracia, etc.

A educação em geral está indo cada vez pior. Leia retrato da educação no post de minha colega Andrea Ramal em seu blog Diplomas de areia

Oro para que “Haja paz dentro dos teus muros e segurança nas tuas cidadelas!" (Salmos 122:6)

domingo, 16 de junho de 2013

Entrevista sobre educação e desigualdade de renda–dica de leitura

Amigos leitores do Blog Feliz da Vida! Feliz por ser hoje um dia direcionado à paz e à manifestação em São Paulo. Que a paz e a justiça se encontrem e se beijem.

Li uma entrevista muito pertinente na “Entrevista da 2ª” do Jornal Folha de São Paulo por Erica Fraga.

Intitulado “Educação explica 100% da desigualdade de renda” o tema é tratado de forma bastante concreta pelo Professor Doutor Alexandre Rands, Economista pernambucano sobre educação e desigualdade no Brasil. É bom ver o tema pelo prisma de um nordestino educador.

No post ele comenta que gastamos muito com políticas que não são adequadas, como financiamentos para investimento de empresa e subsidiando crédito, sem uma política para mudança nos desequilíbrios regionais.

Segundo o professor " Atrasos educacionais explicam 100% das desigualdades de renda entre diferentes regiões do Brasil…Famílias em que os pais têm maior capital humano tendem a ter mais recursos para investir na educação dos filhos". Bem de acordo com a noção de Capital Intelectual de Pierre Bourdieu.

Ainda comenta que a remuneração por mão de obra qualificada continua sendo muito alta no país. Portanto, as regiões em que há gente com menos qualificação continuam com renda per capita muito mais baixa.

Qual seria a soluçâo?  Mudar o nível médio de educação - considerando qualidade e quantidade da educação - nos municípios.

Explicando que há na economia quatro fatores de produção: capital físico, capital humano, trabalho e recursos naturais,  afirma que os mercados para capital físico, trabalho e recursos naturais funcionam razoavelmente bem, “o que não funciona é o capital humano”.

Essa desigualdade desperdiça muito talento potencial, prejudicando o crescimento da economia.

Vale à pena ler todas as perguntas e respostas postadas hoje no Jornal Folha de São Paulo, no link Entrevista