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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Amigos leitores reflexivos do Blog Feliz da Vida! Convido-os para refletir ainda neste post sobre o tema ensino superior.

Li recentemente um artigo de Wellington Moreira no site RH, que reflete alguns dos problemas que eu vivencio em sala de aula, e situações que eu percebo nas empresas onde realizo consultoria. Embora o artigo cita números de ano anterior, ainda não deixou de ser a realidade e comento neste post os temas principais.

O articulista cita a grande quantidade de alunos que a cada ano recebe diploma de ensino superior, número ainda baixo por termos apenas 11% da população entre 25 e 64 anos com  tal formação, porém, muitos já formados “quando se apresentam ao mercado de trabalho, descobrem que a sua capacitação não atende os requisitos mínimos exigidos pelos empregadores”.

O autor aponta que diploma não mais significa boa formação e que estamos diante da "Geração do Diploma"

Daí cita possíveis razões para essa desqualificação generalizada, tais como falta de experiência prática, baixa qualidade do ensino ofertado pela maioria das universidades, exageradamente teórico, professores desmotivados, e aprendizes mais preocupados com a nota do que em aprender. Enfatiza que muitos alunos não conseguem aprender devido ao baixo preparo nas séries anteriores, e que é preocupante o índice de analfabetismo funcional entre os universitários.

Realmente, professores do ensino superior tem que fazer muitas revisões quando dão aulas para alunos recém-chegados do ensino médio. No fundamental a progressão era continuada, se não sou reprovado não preciso estudar, certo? Levam o mau hábito para o ensino médio, e ao ingressar no ensino de nível superior, não estão preparados, vem com baixo nível intelectual, semiletrados. Não quero com isso agredir, apenas apontar a situação do ensino nacional.

Embora o articulista comente que o quadro é apropriado também para diplomas de universidades de elite, falo do que conheço, a realidade dos alunos das classes populares.

Nas famílias o nível intelectual não é alto, muitos dos nossos jovens universitários tem pais semianalfabetos, altamente influenciados pela mídia, de qualidade duvidosa, com baixo ou nenhum acesso ou interesse por atividades culturais, características transmitidas aos filhos moldando suas ambições e capacidade de mobilidade social.

O que temos aí? O conceito de capital cultural de Bourdieu:  decorrente da condição de vida de cada classe da sociedade são moldadas suas características, reforçando a divisão de classes e suas possibilidades de ascensão. O capital cultural é um recurso que reforça as relações de poder, mantendo as situações das classes, uma vez que é influenciado também, pelas condições econômicas.

Já ouviu alguma pessoa alegar que o ensino em toda a história brasileira foi reservado para a classe abastada da sociedade, e que os pobres deem-se por felizes por estarem na universidade hoje, graças aos financiamentos públicos pago com seus impostos? Eu sim!

Saviani entende a História brasileira da educação se dividindo entre História Luso-brasileira até 1822 e História Nacional à partir daí. Temos assim que, nestes cinco séculos a expansão das oportunidades de educação foram marcada pelas desigualdades de condições, atendendo as camadas privilegiadas da população em detrimento das camadas pobres da população, ensino restrito a pequenos grupos.

Nas últimas décadas as camadas desprivilegiadas estão tendo acesso ao ensino superior, porém o ensino fundamental e médio de baixa qualidade tem forte impacto no desempenho e capacitação para ensinos superiores, levará tempo para que a situação seja melhorada, é necessário melhorar o ensino na base.

Estando a base fraca, se requer do professor de ensino superior além dos conteúdos das disciplinas próprias a esse nível, complementar as do ensino anterior, além de ser necessário às vezes transmitir noções de cidadania, respeito, educação em geral, falhas na relação familiar e social anteriores à sua entrada na universidade.

Considere esses número: em 1970, ano em que a Seleção Brasileira ganhou o tricampeonato mundial de futebol, a população brasileira era de “90 milhões em ação”, em 2000 éramos quase 170 milhões, e a Copa do Mundo de futebol será realizada em 2014 num pais que ultrapassou a marca de 200 milhões.

Considere também que temos 7 milhões de matrículas no ensino superior , representando  3,5% da população. Na década de 70 representava 2% . Que mudanças  percebemos?  A população aumentou 122% e o acesso ao ensino superior? 1,5%. Pífio!

Porque 1970? Porque neste ano, foi estimulado o ensino superior com objetivos de formação de técnicos para impulsionar o desenvolvimento econômico advindo com o “milagre econômico”.

E também por ter sido o ano em que o Brasil disputou a Copa do Mundo no México ganhando da Itália com um placar de 4 a 1.

Esse título foi amplamente utilizado como propaganda política, pelos militares que governavam o país. Estávamos no auge da ditadura militar, e a equipe campeã mostrou a superioridade brasileira em relação ao resto do mundo. No futebol.

Agora temos um país democrático, e capaz de sediar o evento, mas estamos longe de ter um time campeão e capaz de obter alto placar nas cadeiras escolares, em todos os níveis.

 
O artigo completo no site RH pode ser acessado no link  Geração Diploma

Se quiser conhecer os conceitos de capital cultural e herança cultural de Bourdieu pode ler no link  Bourdieu - Tese


Sobre ensino superior pode ler o meu post anterior que reflete sobre o tema no link
Geração à Rasca
 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Geração à Rasca - A Nossa Culpa" - Reflexão

Amigos leitores do Blog Feliz da Vida! Abraços calorosos de verão.

Circula na internet um texto atribuído a Mia Couto, que alguns de nós conhecemos na Flip, e que é autor consagrado de mais de trinta livros, com o título "Um dia isto tinha que acontecer". Discutiu-se a autoria pelas características populistas do texto, e por espalhar o fracasso ao coletivo diluindo assim as responsabilidades. 

Considero o texto, cujo título é "Geração à Rasca - A Nossa Culpa" que é de 2011, e ainda constantemente replicado no facebook, digno de ser lido. Sua autoria segundo pesquisado é de fato de Maria Anjos, de Alentejo, Portugal, autora do blog Assobio Rebelde. À rasca significa entre outras coisas, aflita, em desespero, em aperto.

Esse post pretende trazer seus aspectos a uma reflexão por parte dos leitores desse blog.

Se “a culpa é de todos”, então o que podemos fazer? Se não é de ninguém, então não é minha, e me eximo de solucionar as questões?

O texto inicia citando a aflição de pais e filhos na atualidade. Dos pais que educaram filhos altamente protegidos das dificuldades da vida, abastados e cheios de caprichos, para sublimar as suas próprias frustrações quando crianças, numa época da história em que havia carências.

Lembrei-me de quantas vezes ouvi de pais de diferentes idades e classes: “quero dar a meus filhos o que eu não tive”. (Que inclusive é uma estratégia de marketing, faz o pai se sentir culpado quando não satisfaz o desejo do filho).

A autora fala da aflição também dos filhos que não foram ensinados a lidar com frustrações. Afirma que os mais aflitos são os que mais receberam privilégios e menos foi exigido ter responsabilidades.

Comentando o artigo, é contraditório que essa geração que mais tempo tem de estudos, “geração qualificada”, dependente financeiramente dos pais por maior tempo que as gerações anteriores, quando os jovens desde cedo sonhavam em “sair de casa”, e iam morar sozinhos. Os jovens de hoje são ajudados pelos pais até idade madura, casa, comida, carro, gasolina, etc.

É citado que o dinheiro dos pais compravam tudo menos princípios e educação. Os pais na obrigação de manter sua prole afastada do trabalho para estudar (e se divertir) trabalham muitas horas, não tendo então tempo para educar os filhos. Eles não têm tempo, disposição e condição financeira para diversão, lazer, viagens, porém os jovens tem tudo isso à disposição pelo sacrifício dos seus pais.

Você também conhece pais que pensa no filho em primeiro lugar, em segundo lugar, em terceiro lugar, e nunca pensa em si próprio. “Abdica de seu prazeres” segundo apontado, para que aos filhos nada falte.

Qual o problema disso se estamos acostumados e aparentemente não pode ser diferente? É que a “vaca está emagrecendo”, em muitos países falta emprego e os pais começam a ter de dizer "não".  Escreve a articulista:

“É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades, mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que coleciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.”

Duro não? Saber que seu filho, nossos filhos, tem acesso à informação, mas nem sempre estão realmente informados? E aqueles que não interpretam o que leem? Sabendo apenas “juntar as palavras”? Peça-lhes que escrevam por extenso as palavras que abreviam.  Tem coragem de fazer um teste com seu filho?

Geração que segundo o artigo “habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso...Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.”  (alarve significa grosseria).

Geração do acessório, consumista, insaciável e desorientada. E ainda citando o artigo pronta “para ser arrastada”, pelos demagogos que abusam do desespero do outro.

Termina o artigo afirmando que há jovens de cultura e talento, claro, que não se “encaixam no retrato colectivo”, que também estão aflitos com o que percebem ao redor.

Considero alarmista a opinião da articulista de que, se pudessem os jovens representantes das massas por inveja puxariam o tapete dos jovens já capacitados, e dos mais velhos tirariam os empregos de que alguns acham ter direito.

Finaliza dizendo que tem pena destes jovens e que a culpa não é deles, é apenas prova do nosso fracasso. Nós não soubemos educar e fazer melhor.

Porém, discordo da autora quando alega que a culpa “morre solteira”  pois “a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la”.

É nesse ponto que reforço a necessidade de refletirmos? O que cada um de nós pode fazer? Pergunte-se: O que eu posso fazer?

Para ler o texto completo clique no link Assobio Rebelde

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Recordar é viver - A série - Pré-ocupação - uma força auto imposta


Ontem à tarde no trânsito passei por um período de chuva muito forte. Daquelas que somente se vê um metro à frente. O céu foi ficando escuro, escuro, e cabrummm! Desceu aquela "enxurrada" do céu. Estava na Avenida Radial Leste sentido centro. Ao final da Radial, olhando para o viaduto havia muita luz. Eu ainda estava na chuva, mas já via o sol do fim de tarde. Me aproximando do viaduto, fui saindo da área da chuva e olhando para cima a cena era muito linda, duas nuvens muito, muito escuras cobrindo o céu, e no meio, o sol se "infiltrando" por entre elas e iluminando com seus raios uma vasta extensão do viaduto. E a luz foi se ampliando e tomando conta de tudo. Em pouco tempo estava sendo coberta pela luz e aquecida pelo seu calor. As trevas não tem poder maior que a luz! Que revelação! Ao final da escuridão, sempre vem a luz!

Amigos, que você possa ver a luz e receber de seu calor, e ser confortado, consolado, resgatado.

Republico um post de janeiro de 2009, como parte da série de posts "Recordar é viver". Sua mensagem, parte de um curso sobre Inteligência Emocional que estava ministrando, continua ativa e merece ser lida, "Pré-ocupação - uma força auto imposta":

 Na aula de ontem tratamos de entender um pouco como funciona a preocupação nas nossas vidas.

Quando você se preocupa, está se ocupando antes (pré-ocupação) de um assunto ou problema que ainda não aconteceu. Você está se antecipando aos assuntos e ocupa sua mente no tempo errado. Vive no futuro. Qual é a consequência?

Deixa de ocupar os seus pensamentos com os assuntos do presente, não dedica tempo suficiente para eles, perde o foco no hoje, e talvez com isso, cria um problema deixando assuntos não resolvidos.

Não é interessante? Você não ocupa os pensamentos com os assuntos do presente, não os resolve criando um problema para o futuro porque estava ocupando hoje seus pensamentos e energia com os assuntos do futuro, que talvez nem chegue a se concretizar. Insano!

Nos sanatórios, um lugar que não queremos nunca conhecer, os casos mais recorrentes são de pessoas com preocupação, ansiedade e medo.(falaremos dos outros dois outro dia).

A palavra inglesa worry (preocupação) deriva da palavra estrangular, sufocar.

Se eu agarrar agora seu pescoço, interrompendo-lhe o ar, estarei fazendo o mesmo que você faz a si mesmo quando se ocupa antes dos assuntos, ou seja se preocupa

 
DICA DE HOJE:

PRÉ-OCUPAÇÃO : Apague este comportamento assassino da sua vida!


Acesse o vídeo do Bobby Mcferrin, Dont worry  be happy no link abaixo, assobie, cante, seja feliz!
 
http://www.youtube.com/watch?v=yjnvSQuv-H4


A publicação original é do blog anterior, que  vale a visita http://malves.blog.terra.com.br/

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Bom humor na sala de aula. A percepçao do "Eu" e do "Outro".

Amigos leitores do Blog Feliz da Vida! Certa vez uma aluna, do tipo que chega atrasada e não sorri nunca, reclamou de meu senso de humor. As críticas devem nos levar a reflexão na busca de sua validade. Refleti e conclui que até poderia ser uma professora rabugenta (o tipo existe), mas como só posso dar aquilo que tenho, e por ser uma pessoa feliz e alegre, optei por manter o bom humor.
Certa vez uma colega do mestrado me deu uma cópia do artigo “Humor, educação e pós-modernidade” de José Sterza Justo, professor da UNESP, que guardei com muitos outros para ler quando tivesse tempo, ou seja, nas férias. Julgando-o muito apropriado, abaixo resumirei e comentarei pontos do artigo agora lido.

O ser humano tem duas expressões afetivo-emocionais básicas: rir e chorar. O choro manifesta-se como seu primeiro pronunciamento como sujeito no mundo. O riso aparece depois por volta do segundo mês de vida. Começa com movimentos sutis no canto da boca enquanto o bebê dorme e daí para frente deixa claro as sensações de prazer e alegria que o acompanham. Com o tempo torna-se mais intenso, frequente, culminando na gargalhada da criança.
Imagem: publicdomainpictures.net
O riso se manifesta no bebê mediante a percepção da figura humana, ele ri quando visualiza o rosto do outro. “O riso e a alegria, portanto, acompanham esse acontecimento fundamental e decisivo para a constituição do sujeito: a descoberta concomitante do “Eu” e do “Outro”...e se estenderá para outros acontecimentos e relação do sujeito com o mundo”

Claro, nem tudo será harmonioso na vida dessa criança, mas há formas de diminuir o peso das angústias no enfrentamento de conflitos e dificuldades, o emprego do humor.

O humor suaviza o enfrentamento de situações problemáticas e constrangedoras travestindo o sentido do que está sendo expresso na linguagem e na interação.
Uma vez estabelecidos os conceitos (mais amplos que essa transcrição inicial) procurei focar nos aspectos do humor na sala de aula. Geralmente, nós professores não lemos por ler, lemos para aprender, lemos estudando. Vejam o que encontrei:

“No espaço micropolítico da sala de aula, o humorismo ressoa profundamente nas subjetividades e nas relações estabelecidas. Pela via do humor se abre a possibilidade de expressões de ideias e afetos contidos e policiados, sob o patrocínio de uma atmosfera mais tolerante, licenciosa, flexível e permeada pela alegria e desenvoltura... A descontração propiciada pelo riso permite a superação de inibições e maior arrojo do sujeito na expressão de seus pensamentos e sentimentos e na sua exposição ao grupo.”
O artigo expõe como o humor pode ter também um efeito maléfico, como na situação do aluno que “não deixa passar nada” e faz interações cômicas constantes, muitas vezes para provocar o professor, algum colega ou badernar. São propósitos vinculados à perversão, como nas situações em que o humor e as piadas são empregadas para desqualificar e ridicularizar o outro.
Esse tipo de humor perverso resulta muitas vezes de preconceito e resulta em violência.

Nota que o humor como instrumento de linguagem e socialidade (relações que se desprendem das normatizações), se faz presente nos relacionamentos informais, aparecendo mais em momentos de desconcentração. Na sala de aula, quando ocorrem momentos de desconcentração e “discursividade lúdica”, fica visível o espírito de comunhão total no riso largo frente a um gracejo espirituoso. Nesse momento está sendo compartilhado um sentimento coletivo de alegria.

“A apropriação do humorismo pela pedagogia é inevitável dentro do quadro atual de flexibilização, expansão da linguagem... e pode contribuir para retirar dos afazeres de ensino-aprendizagem aquela atmosfera carregada de sisudez, pesar e sofrimento. O tom de alegria e desconcentração do humor pode tornar mais prazerosa e divertida a convivência com os pares na sala de aula e com as tarefas relacionadas ao conhecimento.”

Você já viu como os professores de cursinho pré-vestibular colocam humor na construção das aulas?
Observa ainda que a pedagogia do humor não tem como aspirações a disciplina e a sujeição, mas não pode, por outro lado, significar baderna e falta de compromisso, e também que, a convivência com o humor implica disposição para lidar com atitudes de subversão criativa da linguagem e das relações sociais; e é justamente esse sujeito criativo, capaz de transpor limites que é demandado pela sociedade, mais do que o sujeito reto, compenetrado, sério e intransigente.

Finaliza orientando que estejamos atentos para que o humor não se coloque a serviço da banalização, alertando que a cultura pós-moderna é invadida por um senso de superficialidade.
Não banalize as relações, a alegria não é um sentimento banal.

Então, está aí minha escolha. Sou movida a bom humor, muita coisa me anima, o cubo enorme de gelo no suco, o guarda volumes nas rodoviárias, o colchão na sala abrigando a família como num ninho, o “melhor bolinho de bacalhau do mundo”, gente do Piauí, SC, MG, SP, gente, adoro gente. De toda cor. Alegra-me os livros, muitos livros, o mundo dos livros, os alunos e o ensino.  
A frase acima é inspirada em frase da professora Marta Rovai, proferida no Encontro de História Oral, na Unicamp, quando nos conhecemos, que assim finalizou sua fala no grupo de discussão que coordenava: “Gente é lindo! Será que sou uma deslumbrada?” Como eu, pelo menos é bem-humorada!

Os temas abordados pelo artigo são muito mais amplos que os aqui comentados, compilados para o objetivo do post. Vale sua leitura completa que possibilita outras análises sob olhares variados. O artigo pode ser lido no link abaixo à partir da página 103.
Artigo Humor, educação e pós-modernidade

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

2014 - Ano Novo - Faça dele um ano de convívio - Um Banquete com Dante Alighieri

Amigos felizes do Blog Feliz da Vida! Agradeço sua visita às cerca de 60 postagens ao longo do ano que finda. Abordamos temas diversos, da administração ao feminismo, do preconceito à solidariedade, da educação à Cultura da Paz, dos Direitos Humanos à superação, das reflexões filosóficas à neurociência, do autoconhecimento à praticidade da Bíblia, do caos no trânsito ao impacto do desenvolvimento à dignidade humana, do desenvolvimento do Brasil à desigualdade de renda, das mazelas da sociedade às ideologias, do Maluco Beleza ao Homem Vitruviano, dos protestos e manifestações à Mandela, ícone do ano, das mensagens de suprimento ao poder do pensamento, enfim, tivemos um ano produtivo e construtivo na busca do desenvolvimento do ser.
Esse espaço deseja contribuir com seu desenvolvimento mental. Por isso, nessa época de festas, de mesa farta e de aproximação entre as pessoas que compartilho as ideias de “Convívio” ou “Banquete” escritos pelo poeta italiano Dante Alighieri entre 1304 e 1307.
O livro está dividido em quatro “Tratados”, escolhi compartilhar o quarto, que trata de temas “filosoficamente amenos” como a amizade, fidelidade, felicidade, juventude, velhice, ética nos atos e costumes, comportamento em sociedade privilegiando o bem, o bom cidadão, a harmonia do homem com a natureza e com seus semelhantes.
Muito a ver com esse Blog! Razão de partilharmos esse banquete, oferecida por ele e aqui por nós, numa “mesa farta do saber” com base no livro Dante Alighieri, o Poeta Filósofo, de Carlos Zampognaro publicado na Coleção Pensamento & Vida pela Editora Escala, e comprado a preço acessível nas máquinas nas estações do Metrô. (Dante desejava partilhar o saber, iria ficar feliz ao ver os clássicos vendidos nestas máquinas).

A abertura do “Tratado” aborda a necessidade do saber e a importância do conhecimento “o banquete do intelecto”. No saber, reside a perfeição da nossa alma, e a natureza humana nos leva a desejar o conhecimento. Infelizmente, diz, alguns homens não pode encontrá-lo devido a problemas físicos, aos vícios (que o envolvem tanto que se descuida de todas as outras coisas), das obrigações civis (que lhes ocupa muito tempo) e da preguiça ou defeito do lugar onde nasceu (que o priva do acesso ao conhecimento e ao contato com os estudiosos). Todas essas causas são dignas de abominação, pois “a falta de conhecimento diminui o valor do indivíduo” de 3 formas: puerilidade de ânimo (viver segundo os sentidos e não pela razão, como crianças), a inveja (se considera menos privilegiado devido à excelência dos outros) e à imperfeição humana (que lança sombras sobre a bondade apresentando-a como menos valiosa do que realmente é).
Defende o uso da língua popular em substituição ao Latim para que as pessoas comuns possam entender a obra e ela atinja e beneficie a todos. Como professora compartilho desse sentimento e me alegro pelas tecnologias de hoje que propiciam maior acesso ao saber.
Por fim, aborda a retidão moral, que se revela pela bondade (nobreza, propensão para o bem, o bom, o socialmente justo). “Deve-se saber que o homem é composto de alma e corpo e a nobreza está na alma como uma semente de virtude divina” (Vale a leitura em detalhe da sua concepção de semente e sua germinação, não contempladas neste post por limitações de espaço e foco).
Discorre sobre a bondade como fonte de benefícios e felicidade. “O homem deve empenhar-se com arte e solicitude em conceder sempre que possível benefício que seja útil a quem o recebe”.

Concebe o uso de nossa alma como duplo: prático e especulativo. Prático (operativo) no sentido de podermos agir por nós mesmos de modo virtuoso, com prudência, honestamente, com temperança, fortaleza e com justiça. E de modo especulativo, que se refere à contemplação não de nosso modo de agir, mas de se considerar as obras de Deus e da natureza. Esses dois modos de ânimo (alma) são nossa bem-aventurança e nossa felicidade.

Por fim, divide a vida humana em 4 etapas (idades): adolescência, juventude, maturidade e velhice.
Chamou-me a atenção, por eu trabalhar com pessoas dessa idade, que define a juventude como “a idade de quem pode ser útil”, apontando as virtudes da juventude: cortesia, lealdade, amizade sincera, amor, fortaleza, temperança, e outras. Da idade madura: prudência, justiça, magnanimidade e afabilidade. As virtudes “revelam a felicidade de viver”.

Escreve sobre a experiência da velhice quando se deve voltar a Deus e bendizer o caminho que percorreu enquanto foi reto, bom e sem sobressaltos. Compara a morte a uma viagem, em que o marinheiro recolhe suavemente as velas e reduz a velocidade do barco “volta-se para Deus com toda a sua disposição e coração aberto, de tal maneira a chegar ao porto com toda suavidade e paz”.  
Nessa idade, segundo Dante, a alma nobre bendiz os tempos passados, e pode muito bem bendizê-los porque “revolvendo sua memória, relembra suas boas obras sem as quais não poderia chegar ao porto com tamanha riqueza e grandes lucros”.

Encerra citando o bom mercador “Se não tivesse passado por esse caminho, não teria conseguido este tesouro e não teria do que me alegrar em minha cidade da qual me aproximo” (Tratado IV cap XXVIII).
Profundo, e que merece bastante reflexão não? Mormente por se tratar de aspectos do comportamento do homem na sua condição social. Quem é esse homem? Você, eu, seres sociais, convivendo numa sociedade em que os valores parecem se perder em meio à disposição de ter maior que a disposição de ser.

Esta é nossa mensagem de Ano Novo, que possamos relembrar o ano que termina como produtor de boas obras, e que na próxima etapa, pensando em 2014 como a cidade da qual nos aproximamos, cada um de nós possa se alegrar ainda mais com as boas obras que iremos produzir.
Na “morte” de 2013, pare um pouco para contemplar a sua alma, diminua a velocidade do barco e rememore o que fez de bom. “Busque a Deus com toda a sua disposição e coração aberto, de tal maneira a chegar ao porto (2014) com toda suavidade e paz”.  

Faça de 2014 um ano de virtudes, de bom comportamento social, crie oportunidades de praticar a bondade, assim encontrará a felicidade tão desejada pela alma humana.
Ainda de Dante, sobre a juventude, “ninguém pode dar o que não tem”. Que tenhamos uma alma virtuosa, ela manterá nosso corpo luminoso, para que tendo, possamos dar (conceder benefícios a quem os recebe).

Amém! Feliz Ano Novo!

As ideias vão muito além desse “recorte”, pena que o livro está disponível para download apenas no idioma original, Italiano, no site Domínio Público Convívio - Dante

O Professor Emanuel França de Brito da USP, explica no ensaio Tradução parcial e comentada do Convívio de Dante, as dificuldades de tradução (“abismo cultural e linguístico”) de sua obra Ensaio - Profº Brito
Você pode baixar também com o iBooks no seu Mac ou dispositivo iOS, e em seu computador com iTunes. Download iTunes

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Homenagem natalina a Norman Vincent Peale e seu “Poder do Pensamento Positivo”

Amigos positivos do Blog Feliz da Vida! e amigos entristecidos em busca de mudança, esse blog trata de um tema transformador, o poder do pensamento positivo.

O pensamento positivo teve como grande expoente o escritor Norman Vicente Peale, que foi pastor, escritor, radialista, editor de revista e conferencista muito aclamado nos Estados Unidos a partir da crise americana dos anos 1920, trabalhando até sua morte, na véspera de Natal, vinte anos atrás, aos 95 anos de idade. Seu trabalho foi cunhado como “terapia espiritual”, uma vez que relaciona uma mente positiva à manutenção da saúde.

Na sua época as igrejas eram muito grandes, comportavam em média 3 mil pessoas para um sermão, e ele viajou o pais e o exterior fazendo palestras, além de ter programa no rádio, assim é conhecido também como ministro dos "milhões de ouvintes”.

Em seus livros reproduz as histórias contadas pelas pessoas que pediam ajuda em oração para se curarem de doenças, sentimentos de mágoa, pesar, tristeza, entre outros, e de vícios os mais diversos.

Ele relata o processo de oração e o resultado do caso. Utiliza-se do que hoje as universidades utilizam para o ensino dos seus alunos, os chamados “cases”, esclarece o procedimento e o resultado obtido, no caso de seus pacientes, a cura recebida.

Nessa época de fim de ano em que paramos para refletir sobre nosso comportamento e os resultados obtidos ao longo do ano, a literatura do Norman indica como analisar a qualidade do nosso pensamento. Indico sua leitura para energizar sua mente e abrir sua vida para possibilidades infinitas.

Para que você conheça a literatura do Norman transcrevo um de seus cases do livro “É fácil viver bem”:

Norman estava em New Hampshire, em um retiro, quando recebeu um telefonema de um superintendente de uma fundição de aço, pedindo conselho para tomar uma decisão importante no trabalho. Uma transferência onde trabalharia com um chefe do qual não gostava, ou manter-se onde estava. Norman aconselhou-o a orar para suprimir o sentimento negativo quanto ao novo chefe.

 "Nunca conseguirá uma resposta positiva enquanto sua mente estiver dominada por um pensamento negativo.”  Daí segue com dicas importantes que valem para cada um de nós, para vários tipos de situações: “Nunca procure raciocinar por meio de suas emoções. O cérebro é para pensar e apenas um pensamento racional unido ao processo de oração conduzi-lo-á a uma decisão acertada”.

O homem afirma não ser religioso ao que Normam respondeu: "A religião é metodologia científica para se estudar um meio de resolver problemas".

- Mas tenho um prazo. Retrucou o ouvinte.  "Pare de se preocupar em prazos e trate de praticar uma atitude de calma e serenidade. Reze para ter paz de espírito. Coloque, confiantemente, o seu problema nas mãos de Deus. Se entregue com fé e confiança e há de ter a resposta para uma decisão acertada, no prazo estabelecido".

Ao final, a solução foi surpreendente. O homem ao final recebeu uma promoção que não fora antes mencionada, que revelou-se com o tempo a melhor opção.

Gosto também de uma orientação sobre a necessidade de paz interior:  Em um avião, Norman sentou-se ao lado de um grande empresário, um verdadeiro "dínamo de energia diretriz, que irradia serenidade e impressionante força”. Ele pergunta ao homem qual é o segredo para ter tanta energia?
"É simples"....disse o homem "começo e termino cada dia bem calmo. Repito pela manhã e à noite quatro asserções repetindo lentamente e meditando sobre cada uma:  Uma, de Confúcio: "O caminho do homem superior é tríplice: virtuoso, fica livre de ansiedade; sábio, livra-se das perplexidades; corajoso, exime-se do medo".  A segunda é de Robert Louis Stenvenson: "Sente-se corajosamente na sala da vida".  A terceira é da grande mística do Séc. XVI, Santa Teresa: "Não permita que nada o perturbe, não permita que nada o amedronte. Tudo passa, com exceção de Deus. Apenas Deus é suficiente.”  A quarta asserção é uma citação de Isaias “No sossego e na confiança está a vossa força” (Isaias 30:15)”.

Norman sugere que cada pessoa decore citações que o ajudem a manter positivo seu pensamento.

Poderá recorrer a elas para energizar seu corpo sempre que necessário.  Compartilho ainda outra prática indicada por Norman, a prática do silêncio para superar a tensão:  “Diariamente, numa certa hora, é bom observar um período de absoluta quietude, pois há um poder curativo no silêncio. Dirija-se a um lugar tranquilo. Não converse; não faça nada; coloque a mente na posição mais neutra possível; mantenha o corpo tranquilo e conserve-se em absoluto silêncio. Carlyle declara: “O silêncio é o elemento no qual se forjam as grandes coisas.” Wilian James disse: “É tão importante cultivar o seu poder de silêncio, como o seu poder de falar”.  O silêncio, praticado até que nos tornemos hábeis no seu uso, tem o poder de penetrar neste íntimo centro da mente e da alma, onde a divina quietude curativa pode ser experimentada. ‘Aquietai-vos e sabei que eu Sou Deus’ (Salmos 46:10)”

Observe o poder dessa fórmula que sugere: “Coloque seu problema nas mãos de Deus. Mantenha-o na mente consciente durante um momento, apenas o tempo suficiente para que seja claramente formulado. Depois pense que o problema vai ser resolvido à maneira de Deus, que é o meio acertado. Descanse o espírito e creia firmemente que a paz curativa de Deus está em contato com sua mente, que os empecilhos que entravavam a divina orientação, estão sendo removidos. Descanse a mente, o corpo e alma no Todo-Poderoso e deixe que sua resposta flutue no alto de sua mente consciente”.

Por último, dado ao espaço do post não ao limite do trabalho do “meu amigo” Norman, as últimas indicações “terapêuticas espirituais”: a prática da alegria revela sua personalidade e libera suas forças, dá melhor saúde e estimula o entusiasmo. “Lubrifique o corpo com pensamentos alegres. Erga-se da depressão, ela deixa seu espírito turvo, pensado negativamente...Podemos aumentar o número de intervalos de luminosidade mental e superar a depressão se: (1) quiser que se processe a mudança, (2) se fizer o que for possível, tudo, para livrar-se dela... Uma eficiente pratica para eliminar a depressão e erguer o espirito é a prática da substituição de pensamentos. Nossos espíritos caem porque nossos pensamentos caem.”

A prática de usar palavras de fé renova e muda a nossa vida. Essa pratica pode realizar uma transfusão no espirito, inoculando pensamentos novos e vivificantes e ideias animadoras no cérebro. O cansaço vai-se embora e a depressão desaparece.

Quando se relembra os vinte anos da passagem do Norman homenageio-o por suas ideias permanecerem vivas e vivificando seus leitores.

Que o Blog Feliz da Vida! te impulsione, amado leitor, a substituir qualquer pensamento de fraqueza por um pensamentos de força, o negativo pelo positivo, o de ódio pelo de amor, o sombrio pelo elevado, na mesma hora em que ocorram, sem deixar para anulá-los depois.

Pratique para desenvolver o hábito.  Feliz Natal!

Pense bem! Aja certo! Viva bem!  Seja feliz!

Leia post em blog anterior sobre o livro “Você pode se achar que pode” http://malves.blog.terra.com.br/2009/01/20/voce-pode-se-acha-que-pode/

O livro “O poder do pensamento positivo” pode ser lido parcialmente em Livro

Ouça biografia do Norman em inglês no Youtube Biografia

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Curso My English Online, oferecido pela CAPES/MEC–gratuito

Amigos do Blog Feliz da Vida. Fim de ano chegando, planos sendo elaborados, desejos de progresso pessoal…

Indico a vocês um curso on-line gratuito para começar 2014 com “sangue nos olhos”.

A Capes está oferecendo curso de inglês on-line, destinado aos alunos de graduação e pós-graduação, de instituições de ensino públicas e privadas brasileiras.  image

A iniciativa faz parte do programa Inglês sem Fronteiras, criado pelo Ministério da Educação (MEC) com o objetivo de incentivar o aprendizado do idioma inglês, bem como propiciar uma mudança abrangente e estruturante no ensino de idiomas estrangeiros nas instituições de ensino superior do país.

O curso My English Online, oferecido pela CAPES/MEC, contempla desde o nível mais básico até os níveis mais avançados, preparando o estudante para os exames de língua inglesa solicitados para admissão em instituições acadêmicas no exterior.

O curso My English Online possui 05 níveis de ensino, é gratuito* para o aluno e exige responsabilidade com o cumprimento de etapas de estudo.

Requisitos: · Cursando curso de nível superior em instituição pública; ou · Ter obtido pelo menos média de (seiscentos) pontos no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) caso esteja cursando curso superior em instituição privada; ou · Ser aluno de pós-graduação em programa de Pós-gradução recomendado pela Capes

Para inscrições acesse o site www.myenglishonline.com.br